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Labirinto

Labirinto

Quimera

Acalenta-me o cheiro da primavera.

As folhas verdes no topo da árvore que dançam

quando o vento purificador se levanta;

As flores cheias de vida

e o sol que brilha;

Os pássaros que cantam

e o céu azul que sempre me espanta!

Tudo isto

e mais um pouco

recorda-me a quimera

em que te tornaste.

 

Fazes parte da Maravilha.

 

Lembro-te a cada dia.

Deixo-me anestesiar

pela memória do teu cheiro;

enfrento o sol e encandeio-me

na esperança de recordar o teu brilho.

 

Quando me encontrares 

faço-te juras de amor eterno.

Passarei a ser um seguidor

das tuas manias, defeitos 

e feitios.

Serás a minha primavera.

Serás os pássaros que cantam 

no meu jardim secreto,

as folhas que dançam

no topo das árvores,

a luz que me guia,

o meu girassol cheio de vida,

o meu vento purificador.

O meu pedaço de céu.

 

Sabes aquele momento em que acordas

e ainda te lembras dos sonhos?

Nesse sítio ficarei à tua espera.

Aí, para sempre, te amarei.

Procura-me.

Serei aquele que sorri

face à tua descoberta.

publicado às 17:54

20:34, o vazio

Hoje acordei para a vida às 20:34.

Um sentimento de inutilidade invadiu-me os pensamentos.

Uma nuvem de desprezo cobria o quarto

e deixei-me anestesiar pelos seus encantamentos.

 

Saltou à vista uma inusitada observação

Hoje não vi a luz do sol!, pensei,

e um grito de desespero deu-me o condão

de reparar que todo um dia desperdiçei.

 

Quando me levantei já a lua comandava os destinos.

O cheiro da noite preenchia todos os cantos da casa,

no ar ecoava o som atrasado dos sinos,

na minha cabeça uma sensação dolorosa.

 

Engraçado: assim que abri os olhos julguei ter morrido.

Distanciei-me desse julgamento à medida de uma palma.

Por breves instantes achei que o meu corpo tinha desistido,

sucumbido aos pensamentos mais negros da minha alma.

 

Agora, 23:55, um vazio profundo instala-se à minha frente.

Encarno uma postura de convivência,

mas na minha cabeça sinto-me demente,

agarrando-me a um qualquer estado de sobrevivência.

 

As palavras, com o passar das horas, tornam-se ocas.

da janela o escuro instala-se e agora impera;

um cansaço invade e expulsa as sensações loucas

e uma dormência vem pôr fim à exaustiva espera.

 

Cansaço. Pode ser o cansaço a razão para tudo?

Um zumbido insuportável teima em concordar

Num cigarro procuro fugir do mundo

pela dança hipnotizante do fumo deixo-me enfeitiçar.

 

Um desespero gritante ecoa dentro de mim.

Quero ir para Longe, recusar-me a falar.

Nesse Longe serei o surdo-mudo que conquistou um fim,

e dar-me-ei créditos suficientes para não definhar.

publicado às 01:29

estultices

espero.

procuro-me.

a ti te encontro

no labirinto

escuro e besta

da minha ilusão.

apalpo a escuridão

em busca

de um fim.

esfrego os olhos

e inspiro,

expiro.

contenho a mágoa

de somente encontrar

o frio das paredes

que me rodeiam,

que me arrepiam 

a alma.

durmo.

sonho-Te.

publicado às 18:35

Rascunho #1

Vagueava sem objectivo. Era o pôr-do-sol. Uma mágoa estranha andava ultimamente a dominá-lo. Nada de especialmente corrosivo, pungente, mas antes como que um sopro permanente, eterno, um pressentimento de anos de desespero a carregar esta fria e mortificante mágoa, o pressentimento de uma eternidade no cume dos espaços. Na hora de anoitecer esta sensação atormentava-o ainda mais.

publicado às 22:31

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